quinta-feira, 26 de agosto de 2010

E se a Terra tivesse anéis como os de Saturno?

A visão do espaço seria um tanto familiar, afinal, nós conhecemos os anéis de Saturno. Agora, você pode adivinhar como esse anel em torno do planeta pareceria visto de Paris, próximo do Equador, ou pela Groenlândia? Qual seria sua aparência de dia ou à noite? Que cosmogonias poderia inspirar? Como as religiões teriam interpretado essa faixa no céu? Seria visto como o arco de sustentação da abóbada celeste?

Ainda mais curioso é que existem sugestões científicas sérias de que nosso planeta já pode ter tido anéis no passado, com consequências não muito agradáveis. O astrônomo John O’Keefe especulou que o planeta pode ter formado um anel parecido com o de Saturno por alguns milhões de anos durante o fim do período Eoceno.

Como se pode ver na animação, o anel – apesar de sua beleza – bloquearia parte da radiação solar, o que teria provocado um esfriamento global. Infelizmente não podemos nos empolgar muito com a beleza de tais anéis… ou seria esta a solução mais bela para o aquecimento global?

Veja o vídeo:

"Erupção" cósmica


Imagem obtida pela Nasa mostra a erupção de um "vulcão" galáctico na galáxia M87, a cerca de 50 milhões de anos-luz de distância. O registro foi feito pelo Observatório de Raios-X Chandra. O fenômeno é causado por jatos de partículas com muita energia produzidos pelo buraco negro da galáxia geram ondas de choque ao atingir o gás mais frio. Essa interação com o ambiente é similar a do vulcão Eyjafjallajokull, na Islândia, no início do ano, segundo astrônomos

Energia escura


Uma equipe de astrônomos conseguiu dar um passo importante para solucionar o enigma da energia escura, fenômeno que está envolvido com a expansão cada vez mais acelerada do Universo. A descoberta foi feita com ajuda de observações de lentes gravitacionais feitas pelo telescópio espacial Hubble e aparece na edição de 20 de agosto de 2010 da revista Science.

A matéria comum, encontrada em planetas, estrelas e nuvens de poeira, é apenas uma pequena fração do que existe no Universo. Nem se compara à enorme quantidade de matéria, que é invisível, mas pode ser detectada pela força gravitacional que exerce.

A matéria escura, por sua vez, é dominada pela energia escura difusa que permeia todo o Universo. Os cientistas acreditam que a pressão exercida por essa energia é o que impulsiona o Universo se expandir a uma taxa sempre crescente.

Comprovar a existência de energia escura é um dos desafios da cosmologia moderna. Desde sua descoberta, em 1998, os cientistas tentam caracterizá-la melhor. E o atual estudo apresenta uma forma completamente nova de fazer isso.

O principal autor da pesquisa, Eric Jullo, explica que a energia escura pode ser caracterizada pela relação entre sua pressão e sua densidade. A questão é tentar quantificar essa relação. Isso trará informações sobre as propriedades da energia escura e a maneira como ela afeta o desenvolvimento do Universo.

Para fazer isso, a equipe mediu as propriedades das lentes gravitacionais no aglomerado de galáxias Abell 1689. Lente gravitacional é um fenômeno previsto pela teoria da relatividade de Einstein, e foi aqui utilizado pela equipe para investigar como as distâncias cosmológicas (e, portanto, a forma do espaço-tempo) são modificados pela energia escura.

Em distâncias cósmicas, um enorme aglomerado de galáxias em primeiro plano tem tanta massa que sua força gravitacional dobra feixes de luz de galáxias muito distantes, produzindo imagens distorcidas dos objetos distantes. A distorção induzida pela lente depende, em parte, das distâncias até os objetos, o que pode ser medido com ajuda de grandes telescópios na Terra, como o VLT, do Observatório Europeu do Sul (ESO).

Os efeitos precisos das lentes dependem de sua massa, da estrutura do espaço-tempo e da distância relativa entre nós, as lentes e o objeto distante por trás delas, segundo explica o coautor do estudo, Priyamvada Natarajan. É algo como uma lente de aumento, no qual a imagem obtida depende do formato da lente e de quão longe você está em relação ao objeto para o qual está olhando.

Observar as imagens distorcidas permite aos astrônomos reconduzir o caminho que a luz percorre de galáxias distantes em sua longa jornada até a Terra. Isso também faz com que eles consigam estudar o efeito da energia escura na geometria do espaço no caminho da luz de objetos distantes até o aglomerado e, então, do aglomerado até nós.

Conforme a energia escura faz o Universo se expandir cada vez mais rápido, o caminho seguido pelos feixes de luz ao longo do espaço é alterado pelas lentes. Isso significa que imagens distorcidas encapsulam informações sobre a cosmologia subjacente, assim como sobre as próprias lentes.

Por que a geometria do Universo é tão importante? Porque ela está intrinsecamente ligada ao conteúdo e ao destino do Universo. "Se você conhece os dois primeiros, pode deduzir o terceiro", comenta Natarajan. Como os astrônomos já conhecem razoavelmente o conteúdo do Universo, entender melhor sua geometria vai fazer com que seja possível prever seu futuro.

A equipe levou vários anos para desenvolver modelos matemáticos específicos e mapas precisos da matéria - tanto a escura quanto a "normal", observados no aglomerado Abell 1689.

Astrônomos descobrem sistema planetário semelhante ao Solar


Astrônomos do Observatório Europeu do Sul descobriram um sistema planetário com pelo menos cinco planetas que orbitam uma estrela semelhante ao Sol, chamada HD 10180, a 127 anos-luz de distância da Terra.

Os pesquisadores também têm a evidência da existência de mais dois planetas, um dos quais teria a menor massa já descoberta. Isso tornaria o sistema similar ao nosso Sistema Solar, em termos de número de planetas (sete em relação a oito do Sistema Solar). Além disso, a equipe também encontrou evidências de que as distâncias dos planetas da estrela seguem um padrão regular, como também é visto no nosso Sistema Solar.

"Nós descobrimos o que provavelmente é o sistema com mais planetas já descoberto", diz Christophe Lovis, autor do estudo. “Esta descoberta notável também destaca o fato de que agora estamos entrando em uma nova era na investigação de exoplanetas: o estudo dos sistemas complexos e não apenas dos planetas individualmente. Estudos dos movimentos planetários no novo sistema revelam complexas interações gravitacionais entre os planetas e nos dão pistas sobre a evolução a longo prazo do sistema."

A equipe de astrônomos usou o espectrógrafo Harps, ligado ao telescópio do ESO (Observatório Europeu do Sul) em La Silla, no Chile, em um estudo de seis anos da estrela HD 10.180, situada a 127 anos-luz de distância, ao sul da constelação de Hidra Macho.

Graças ao Harps, os astrônomos detectaram os minúsculos movimentos da estrela causados pelo complexo de atração gravitacional dos cinco ou mais planetas. Os cinco sinais mais fortes correspondem aos planetas com massas semelhantes a Netuno - entre 13 e 25 massas terrestres - que orbitam a estrela, com períodos que variam de cerca de 6 a 600 dias. Esses planetas estão situados entre 0,06 e 1,4 vezes a distância Terra-Sol de sua estrela.

"Também temos boas razões para acreditar que existam mais dois planetas", diz Lovis. Um deles seria um planeta como Saturno (com 65 massas terrestres) e órbita de 2.200 dias. O outro seria o exoplaneta menos massivo já descoberto até hoje, com uma massa de cerca de 1,4 vezes a da Terra. Ele estaria muito perto da sua estrela, a apenas 2% da distância Terra-Sol. Um ano neste planeta duraria apenas 1,18 dias terrestres.

"Este objeto teria um efeito na estrela de apenas 3 km/hora- mais lento que a velocidade de caminhada - e este movimento é muito difícil de medir", diz o membro da equipe Damien Ségransan. Se confirmado, este objeto seria um outro exemplo de um planeta rochoso quente, semelhante ao Corot-7b.

O sistema recentemente descoberto de planetas em torno de HD 10180 é único em vários aspectos, diz o ESO. Primeiro, com pelo menos cinco planetas como Netuno em uma órbita semelhante a de Marte, este sistema é mais povoado do que o nosso Sistema Solar e tem muito mais planetas massivos.

Além disso, o sistema provavelmente não tem nenhum planeta gigante gasoso semelhante a Júpiter e todos os planetas parecem ter órbitas quase circulares.

Até agora, os astrônomos conhecem quinze sistemas com pelo menos três planetas. O último detentor do recorde era de 55 Cancri, que contém cinco planetas, dois deles sendo planetas gigantes. "Sistemas de planetas de baixa massa como o da estrela HD 10180 parecem ser bastante comuns, mas a história de sua formação continua a ser um quebra-cabeça", declara Lovis.

Nasa identifica sistema com dois planetas em trânsito

A Nasa (Agência Espacial Americana) anunciou, nesta quinta-feira (26), ter descoberto um sistema com dois planetas em trânsito, ou seja, passando pela linha de visão entre a Terra e sua estrela. Segundo a agência, é a primeira confirmação da existência de um sistema desse tipo.

A descoberta foi feita pela sonda Kepler, por isso os planetas foram batizados de Kepler-9b e 9c. A descrição foi publicada na edição desta semana da revista "Science".

A identificação do sistema foi possível após a observação de 156 mil estrelas, um trabalho que durou sete meses. A missão Kepler tem como objetivo localizar planetas do tamanho da Terra fora do nosso Sistema Solar.

A câmera de precisão da Kepler consegue medir variações no brilho das estrelas, algo que ocorre quando planetas transitam diante dessas estrelas. O tamanho do planeta e sua distância em relação à estrela podem ser avaliados a partir dessas reduções.

O Kepler-9b é o maior entre os dois planetas, que têm massa um pouco menor que a de Saturno. Kepler-9b está mais perto da estrela, com uma órbita de aproximadamente 19 dias, enquanto a do Kepler-9c tem cerca de 38 dias.

"Esta é a primeira detecção clara de mudanças significativas nos intervalos de um trânsito planetário para o outro, o que chamamos de variações de tempo de trânsito", disse Matthew Holman, cientista da missão Kepler do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, em Cambridge. Segundo ele, isso é uma evidência da interação gravitacional entre os dois planetas.

Além da confirmação dos dois planetas gigantes, os cientistas identificaram o que parece ser um terceiro planeta em trânsito nas observações do Kepler-9. O sinal é compatível com o de um planeta escaldante com cerca de 1,5 vez o traio da Terra, a uma órbita de 1,6 dias da estrela. Observações adicionais são necessárias para determinar se esse sinal é mesmo de um planeta, ou de um fenômeno astronômico que imita a aparência de um trânsito.

*Com informações do estadão.com.br